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O Homem e Suas ConcepçõesO homem existe não como detalhe em um esquema evolutivo, não como acidente
de percurso em um processo, não como estágio ou degrau em uma escala, mas
como manifestação intencional do Absoluto, em cumprimento de desdobramentos
da Lei do Triângulo. Paradoxalmente, no contexto da Criação o homem é um
detalhe e não o leitmotiv. Para que se possa compreender o significado desta
enunciação, aparentemente controversa, e suas ligações com propósitos
capazes de serem percebidos pela mente humana, é necessário saber, antes, o
que é uma Lei, pois no Absoluto parâmetros como "coerência" nada significam.
Lei é um parâmetro enunciado pelo Absoluto, como manifestação da Vontade:
"Isto é assim", por exemplo, é uma lei, e seu único fundamento é a vontade
que a enunciou, independendo de noções de coerência, ética, moral, justiça,
bem, mal, certo, errado (todos esses valores são meramente humanos e,
portanto, relativos ao homem e ao Plano em que ele existe, de uma forma tal
que, exemplificando, o que se constitui em injustiça para um homem pode se
constituir em justiça para outro). As Leis em que se desdobra a Lei do
Triângulo descem a detalhes de funcionamento do Plano em que atuam. Por
exemplo: no Plano Objetivo, isto é, a dimensão que o homem é capaz de
perceber com seus sentidos e na qual está inserido o Universo que o homem
conhece, com seus milhões de galáxias, buracos negros e toda sorte de
manifestações siderais, e que o homem considera que seja a totalidade da
Criação, há Leis que definem a força de atração e repulsão entre corpos
celestes e partículas atômicas; Leis que dispõem sobre ciclos de
manifestações; sobre vida e morte; sobre gradação de vibrações, como
velocidade da luz etc; sobre relatividade e assim por diante. No caso do
Plano Objetivo, muitas leis se relacionam com a existência do Eu. No
Absoluto só há uma Lei, que é a Lei do Triângulo. No Plano Objetivo existem
a Lei do Carma, a Lei da Finitude, a Lei da Gravidade, a Lei da Replicação,
a Lei da Dissolução, a Lei da Conjunção, a Lei da Dominação, a Lei da
Dualidade, a Lei da Evolução, a Lei da Queda, a Lei da Libertação, a Lei dos
Elementos, a Lei da Quintaessência, a Lei da Alquimia, a Lei da Regência, a
Lei da Fluência, a Lei da Prosperidade, a Lei da Interpenetração, a Lei dos
Ciclos, a Lei do Pulsar, a Lei do Quantum, a Lei da Relatividade, a Lei da
Propagação, a Lei dos Humores, a Lei dos Anátemas, a Lei da Irradiação, a
Lei do Plasma, a Lei do Hept, a Lei da Invocação, a Lei das Escalas, a Lei
da Rotação, a Lei do Desdobramento, a Lei da Superposição e mais outras
tantas, num total de 48 Leis para os homens vivos, 96 nos mundos
subterrâneos e 192 nos mundos abissais e assim por diante, até os Infernos
Materiais, onde os seres existem sob as injunções de 666 Leis controversas.
O Plano em que o homem se manifesta é o sexto Plano em uma figuração
esquemática meramente humana, enquanto os Infernos se situam no vigésimo
primeiro Plano. Cada um desses Planos constitui, na verdade, um Planeta
imaterial, o qual contém uma réplica material, a qual pode ser vista por
olhos humanos (os eventos ocorrem simultaneamente nessas duas seções de cada
Plano, mas em cada uma de uma maneira peculiar). A ligação entre a versão
material e a versão imaterial de um Plano é feita pela música das esferas. A
principal diferença entre um Plano material e um Plano imaterial está nos
parâmetros que regem cada um; assim, um homem pode ser injustiçado em um
plano e concomitantemente ser justiçado no outro, tudo isso simultaneamente,
pois é assim que a Criação se manifesta pelo processo da Transformação.
Desta forma, ao mesmo tempo em que um homem morre ele está nascendo. Pela
Lei da Superposição as duas realidades de um Plano se somam quando se
afastam uma da outra e se subtraem quando se aproximam, o que dá a ilusão da
reencarnação. Para romper o ritmo cíclico impresso por essa Lei a um Plano e
penetrar na Vida Eterna é preciso romper com um deles, o que se constitui em
um processo extremamente doloroso. Se o postulante não conseguir suportar as
provações, pode ser alijado do Plano e cair em um Mundo Inferior, passando a
existir, autoconscientemente, em forma animada imanifesta, como uma pedra,
por exemplo. Em determinados planetas materiais esse tipo de coisa pode
ocorrer coletivamente, por injunção de Lei violada.
O Plano Objetivo não tem um número dentro de uma ordem hierárquica, porque a
Criação é simultânea em todos os níveis. A hierarquização é uma concepção
meramente humana e o homem a concebeu por observação do seu meio-ambiente. O
homem viu que havia animais que superavam outros e, portanto, sobre eles
detinham certo poder: o poder de matá los ou não, de constrangê-los ou não,
de absorvê-los ou não. Surgiu daí a idéia de superiores e inferiores, de
chefes e subordinados, de seres que mandam e outros que obedecem, de
poderosos e submissos. Essa é uma concepção meramente humana e não é a
realidade do Absoluto. Assim, a hierarquia existe em termos humanos, é um
parâmetro humano. Para Deus, o Absoluto, não há hierarquia. Deus é tudo e ao
mesmo tempo é nada. Está em tudo, mas nada do que o contém é Ele. Eis porque
Jesus Cristo disse que os humildes serão exaltados e os que se exaltam serão
humilhados.
Aliás, dentre todas as enunciações feitas no Plano Objetivo, as de Jesus
Cristo resplandecem de uma forma tal que demonstram ser a Verdade. É
impressionante verificar que após as palavras de Jesus Cristo nem uma única
pessoa, até hoje, passados dois mil anos, conseguiu enunciar algum
pensamento que lhes acrescesse algo. Das palavras de Jesus nada pode ser
extirpado que não faça imediatamente falta e nada pode ser acrescentando sem
que seja redundância ou excrescência. Não se pode dizer o mesmo de outros
avatares. Ora, mesmo sendo perfeito, Jesus era um homem, tanto assim que
morreu na cruz. Contudo, mesmo sendo homem era Deus, tanto assim que
ressucitou dentre os mortos. Esse paradoxo do homem-Deus, na verdade de Deus
feito homem, criou em muitas mentes a falsa idéia do panteísmo: se Jesus era
Deus, mesmo sendo homem, pensava-se, então todo homem era Deus, bastando
para isso querer sê-lo. O problema é que todos esses homens que pretendiam
ser Deus acabaram morrendo e não ressucitaram da forma literal pela qual
Jesus o fez, muito menos se tornaram Deus somente por tê-lo desejado.
Tudo o que podia ser feito em matéria de tentar ser Deus ou chegar perto
disso já foi feito e não houve resultado algum a não ser o fracasso, a
frustração e a morte. Tudo isso porque o homem tenta equacionar problemas
que só existem para ele, com parâmetros humanos, quando no plano do Absoluto
esses problemas não são problemas: são condições resultantes do
desdobramento de Leis. Quando uma Lei estabelece uma condição e essa
condição resulta na criação de algo, essa criação passa a ser regida por
Leis próprias, clonificadas da Lei que originou o processo, mas adequadas às
peculiaridades do evento. Seria como se uma lei em um caleidoscópio
estabelecesse que todas as imagens devem girar e crescer concentricamente,
se desdobrando em outras. E que essa enunciação se desdobrasse em leis
peculiares para cada situação particular de imagem. Por exemplo: o círculo
vermelho fica verde, depois azul, depois amarelo, depois preto, depois some.
É dentro desse processo que o homem existe e é por isso que o homem existe.
O homem existe em decorrência do desdobramento da Lei do Triângulo no Plano
Objetivo.
Como todas as Leis são desdobramento da Lei do Triângulo, a Vontade do
Absoluto se faz no mais recôndito do íntimo mais secreto do mais
aparentemente oculto plano. Desta forma a Criação não é como um relógio que
tenha sido construído e largado ao léu pelo relojoeiro. Esse relojoeiro, que
é Deus, conhece o que se passa no menor elétron do mais ínfimo átomo da mais
insignificante partícula que componha qualquer das engrenagens da máquina e
tem o controle total de tudo. Assim, o homem não é dono da sua vontade,
porque, na realidade o homem é uma expressão da Vontade do Absoluto. Quando
o homem julga que está exercendo a sua vontade própria, na verdade o
Absoluto é que está exercendo Sua vontade através do homem.
Eis porque existe a Vida Eterna, tal qual a promete Jesus Cristo. A Vida
Eterna consiste na perpetuação da Vontade do Absoluto em um fractal do
Absoluto. E eis o que é a individualidade, no que se refere ao homem.
Vários métodos e processos foram tentados ao longo das eras para tentar
abrir as portas da percepção para outras realidades, outros planos, outras
dimensões, passando pelo ascetismo, pelas drogas, pela meditação, pela
suposta magia sexual etc etc. Tudo isso na vã tentativa de encontrar a
chave da Eternidade, que permitisse ao homem se tornar imortal. Ora, a
imortalidade em tais condições seria nada mais nada menos que a estagnação
do processo da Criação, pois algo se plasmaria em inércia, sendo tal qual é
por toda a Eternidade. Como a Criação em si, como já foi dito, é um processo
de Transformação contínuo, não poderia ser assim. Todas as realidades têm de
ser recicladas, revistas, reformadas, revolucionadas e entre elas está a
realidade que é proporcionada ao homem por sua consciência.
É preciso compreender, ainda, que a Transformação não é uma necessidade, uma
finalidade em si, mas um exercício de Vontade do Absoluto, que cria para
poder existir, que existe para criar, e que se sustém a partir do Nada
autogerando-se e produzindo todas as Leis, Forças e Estados de Manifestação,
que são simultâneos, inumeráveis e equivalentes.
Dentro do torvelinho da Transformação o homem também participa do processo
da Criação, como Criador. Essa condição tem levado a muita confusão. Por
exemplo: o homem vê que no reino da dualidade os seres manifestamente
animados, como ele próprio, são gerados por conjunção sexual e infere que
esta é a chave da Criação. Passa a acreditar que os parâmetros do Plano
Objetivo são os mesmos do Absoluto e chega a pensar que através de certos
procedimentos mágicos pode-se usar a energia sexual para a criação de corpos
astrais superiores, capazes de conter e perpetuar a individualidade na
Eternidade. Ora, isso que é visto como individualidade, dessa forma, é
apenas e tão somente o Eu ilusório que essa mesma corrente de pensamento
prega destruir para poder ascender. O sexo não é a chave, mas apenas um
instrumento, dentre os muitos no contexto da Criação. Sua finalidade é a
perpetuação das espécies dentro da Transformação. Isso que se convencionou
chamar de energia sexual é o apelo contido no instrumento para que se o use,
em cumprimento da Vontade do Absoluto. Os instrumentos da individualidade
para a imortalidade são outros, entre eles a metamorfose, que é a mutação
interna e externa pela circunscrição de uma dada realidade em novos
parâmetros, totalmente outros.
O homem existe porque faz parte da Criação, como um detalhe, e a consciência
que ele possui lhe permite ter conhecimento da Criação e de parte do
processo da Transformação; visão de parte dos Planos de Manifestação e
compreensão de parte dos eventos, isto porque, como já foi dito, o homem é
um detalhe na Criação, e não o seu ponto central. A felicidade, condição
necessária para que a vida terrena não se constitua em um inferno, consiste
em se ter a compreensão de que o homem é só um detalhe na Criação, e a
partir daí procurar, com sinceridade, adquirir humildade suficiente para
compreender que sem Deus nada é possível. Esta é uma condição que abre
perspectivas de evolução e essa evolução, que conduz à Vida Eterna, passa
pela transformação do impulso sexual em amor de Cristo. Essa alquimia, que é
feita pelos monges e anacoretas pode, em um primeiro estágio e ainda nesta
vida, propiciar uma visão mais ampla e clara do que vem a ser a Criação como
um todo e qual a relação do homem para com o Absoluto. Na verdade, quando o
homem parte para a consecução desse propósito, ele está cumprindo em si
mesmo a Lei do Triângulo, tal e qual ela se cumpre na Criação e na Unidade
do Absoluto.